terça-feira, 10 de maio de 2011

Avó


Se o tempo sarasse tanto como dizem... esta dor que transporto todos os dias já tinha desaparecido..

Tento esquecer o dia brilhante e feliz em que ela se foi embora, partiu sem um único adeus... O dia em que tudo fazia sentido até à hora em que ouvi "Ela morreu!".

Quis voltar atrás, quis voltar áquele momento em que alguém lhe perguntou: "D.Clarinda, quem é esta menina?" e ela respondeu "Ela dança...", essa mesma pessoa disse "Não, essa é a Sofia. D. Clarinda, consegue lembrar-se desta menina?" e ela pos a mão no meu queixo agarrando-o docemente e disse "É a minha menina!". Não consegui agarrar mais as lágrimas que estavam a ser presas há muito tempo.. Sorri e disse "Oh vozinha... Sou eu, a Linda". Ela olhou para mim, um olhar profundo, lento como se por momentos todas as sinapses tivessem sido reastabelecidas e desfeitas novamente. Um olhar que mesmo estando calada me disse que ela tinha sempre gostado de mim e que estava agradecida pelos almoços e lanches em casa dela, pelas visitas a casa, por lhe ter feito soltar umas quantas gargalhadas face às minhas aventuras, por lhe ter ouvido quando contava histórias da minha familia. No fundo eu sabia que tudo estava esquecido, apenas na mente... Porque o que fica na cabeça mais tarde ou mais cedo acaba por ser esquecido, mas o que habita no coração com ou sem Alzheimer nunca é esquecido. E mesmo na fase terminal, ela não se esqueceu de mim...

Naquele lugar sombrio, toquei-lhe na testa, estava fria... Deitada, magra, fria, morta... Estava a mulher que tanto me ajudou e de quem me orgulho por ter sido (e ser) sua neta..!

01/05/2009 (2 anos)

Clarinda Maurício <3

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