segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Docinha..

"Estive para oferecer umas gomas ao meu pai, mas ele é diabético"
"A sério, há quanto tempo?"
"Desde os 40 anos"
"Oh desde que nasceste, é normal.. Para ter uma filha docinha como tu, só poderia ficar diabético"

JM

Não hei-de ficar babada.

domingo, 3 de novembro de 2013

Lindo

"Antes de ti, a minha vida sentimental dava um rolo de papel higiénico"

JM

Não te esqueças


"O cérebro humano é capaz de armazenar milhares de memórias que englobam gestos indispensáveis ao dia-a-dia, lembranças de caras e lugares, palavras, coordenadas, isto num aparente caos de sinapses e electricidade mas onde tudo tem o seu lugar e onde parece caber sempre mais qualquer coisa. Perante isto, saber que se caiu no esquecimento de alguém deve ser das coisas mais tristes que podemos experimentar e sentir. A irrelevância perante a memória do outro, a noção de que não marcámos, que nada mudámos. É como se não tivéssemos existido.

“Não te esqueças de mim” é uma das expressões mais carregadas de significado que conheço. Está para mim a par dum “tenho saudades tuas” ou um “amo-te”, talvez, porque consegue encerrar em si tanto de tudo do que as outras expressões são. Não é a qualquer um que pedimos para não ser esquecidos, por norma, só o pedimos a dois tipos de pessoas: às que amamos muito e às que detestamos muito. Às primeiras, as amadas, pedimos para ser lembrados pois em nós, já sabemos que elas vão existir para sempre, independentemente dos anos, da distância, da inevitável perda física. Às que odiamos muito até podemos nem pedir para ser não sermos esquecidos mas estamos certos de que se elas se esquecerem de nós, perdemos o objecto do ódio e depois? Valerá mesmo a pena odiar sozinho quem nem se lembra de nós? Perda de tempo, ocupação desnecessária de gavetas que podiam estar encravadas com memórias boas.

Se há filme que me marcou neste sentido foi o "Eternal Sunshine of the Spotless Mind" ("Despertar da Mente", em português) pois aborda de uma maneira sublime e extremamente bela a ideia do facilitismo aparente do esquecimento. Se no início do filme estamos desejosos de que aquele método de cura para o coração partido seja real, no fim, damos por nós a viver as “dores” de Joel, a torcer pela sua escapatória à ruína das ternas memórias que tem com Clementine, a miúda do cabelo azul que fez o que ele não foi capaz de fazer: esqueceu-o. O ser humano tem destas coisas, na hora de esquecer agarra-se ao mau, às lágrimas, às discussões, alimenta ódios e raivas ignorando por completo que a melhor maneira de se superar algo (um amor, uma morte, etc.) é deixar que as memórias boas se instalem, ocupem lugar, curem, libertem.

A memória do aroma do sabonete da mãe far-nos-á para sempre usar essa marca lá por casa. Ouvir uma música por acaso e jurar que se sentiu a presença da pessoa com quem a ouvíamos. As fotos engalanadas com sorrisos, belas paisagens ou até um postal tornam-se eternas pois materializam o que “cá dentro” aconteceu. Saramago disse e com razão que “Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Sem memória não existimos, sem responsabilidade, talvez não mereçamos existir”. Sou por isso responsável pelos que faço existir em mim, simplesmente, não os esquecendo."

Bruno Marques, P3

Lembrete: amo-te!


"A linguagem do coração é geralmente muito repetitiva. O vocabulário não tem grandes segredos quando se trata de mostrarmos a paixão e o amor que nos invade. Abrir o coração não é fácil, mas, quando acontece, esqueçam a parte de esmiuçar em palavras o que lá vai dentro. Porque a forma de o expressar, a falar e a escrever, não anda longe das repetições de tantos outros casos semelhantes. Repetitiva, embora de significado distinto, dependendo do protagonista.

O coração tem uma linguagem simples, de fácil compreensão, mesmo depois daquele ar parvinho ao pronunciarmos cada palavra. Escrever as palavras do coração torna-se mais fácil porque na maior parte das ocasiões não observamos ou somos observados nas nossas reacções e expressões enquanto o fazemos. Falado ou escrito, o sentimento está presente. Sem segredos. Como as palavras não têm segundas intenções.

Algumas delas poderão começar a ficar gastas, talvez até banalizadas. Podem mesmo surgir algumas queixas de que estamos constantemente a utilizá-las. Chamados de melosos, varridinhos das ideias, porque recorremos à mesma fórmula de demonstrar amor. Vários autos são levantados contra o uso do “amo-te”. Por soar assim a uma piroseira pegada, por não sabermos usar uma qualquer outra expressão. Mas o “amo-te” nunca passará a banal. Nunca cairá em desuso. Jamais será considerado um excesso linguístico.

Em matéria de coração, o melhor é repetir vezes sem conta a mensagem, ao melhor jeito redundante da linguagem publicitária. O que vem do coração é genuíno, único, despertado pelas melhores sensações. Não pode ficar por dizer. E deve ser dito vezes sem conta. Sempre que sentimos o aconchego quentinho da casa onde habitamos e a ebulição bem lá no fundo. Guardar é um lugar sem espaço quando a vida, tal e qual a conhecemos, pode terminar ao virar da esquina. Quando aquele momento pode ser o último.

Em cada oportunidade que o destino conceda, entre um beijo demorado e a tranquilidade de um abraço, devemos aproximar-nos devagarinho do ouvido, dizendo bem baixinho, numa só palavra, tudo o que o coração sente mas não consegue falar. Seja “amo-te” ou todas as demais variantes da linguagem do coração.

Se tivesse a possibilidade de colocar uma imensidão de lembretes em toda a parte, escreveria em cada um deles: “amo-te!”. Para ninguém se esquecer de o dizer sempre que o coração quer sair pela boca, nos momentos únicos de algo tão especial. Por muito que soe a repetitivo, piroso, "démodé"."

Bruno Marques, P3